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SINDROME DA MORTE SÚBITA

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Atualizado em 23/03/2017

capadormirpracima

Hoje vamos abordar um tema de extrema importância e que ainda é pouco conhecido e divulgado em nosso país. A Síndrome da Morte Súbita do Lactente (SMSL) é definida como a morte inesperada e inexplicável de lactentes menores de 1 ano, após ter sido feita história clínica completa e autópsia que afastassem qualquer possível causa, além da revisão do local do óbito sem nenhuma causa evidente.

Existem relatos em escrituras e na Bíblia de mortes de bebês por causa desconhecida, portanto já se sabe de sua existência há muito tempo.  Em Países Desenvolvidos com baixas taxas de infecções neonatais e com bom acompanhamento de pré-natal, a SMSL é a principal causa de morte de lactentes, sendo a fase de maior risco entre 2 e 5 meses de vida.

A incidência nos EUA é de 1-3: 1000 nascidos vivos e na Austrália de 3-7: 1000, esta incidência caiu drasticamente após instituição de campanhas de conscientização. Estudos controlados realizados mundialmente evidenciaram que apenas modificando hábitos de sono da família poderíamos reduzir esta realidade, quando então surgiu a Campanha Back to Sleep em 1994, isto é dormir de barriga para cima, chamada posição supina ou decúbito dorsal horizontal(DDH). Após a campanha ocorreu uma queda de 50% da incidência da SMSL, valor extremamente relevante. Porém o Brasil não participou dos estudos e nem das campanhas, praticamente não temos dados de incidência no país, mas como as situações de risco estão presentes em grande parte da população, suspeitamos que deve ser bem frequente, a população está em risco e desinformada. Foi feito um estudo coorte, de acompanhamento ao longo do tempo em Pelotas no Rio Grande do Sul em que a incidência de SMSL era 4%.

Algumas hipóteses foram levantadas para determinar a causa desta síndrome tão obscura que é um tabu, infelizmente pouco comentada pelo Pediatras e Enfermeiros de maternidades, a mais aceita é uma alteração do mecanismo de despertar e associação de fatores de risco. Um atraso no desenvolvimento do controle cardiorrespiratório, não ocorrendo o estímulo suficiente para proteção a uma agressão. Ao fornecemos um ambiente de sono propício eliminamos os fatores gatilhos das crianças vulneráveis, reduzindo a mortalidade.

As situações consideradas de risco são: mães jovens, tabagistas, multíparas, intervalo curto entre as gestações, ausência de pré-natal, prematuridade, baixo peso ao nascer, irmão com SMSL, baixo nível socioeconômico, sexo masculino (60% são meninos), etnias (negros e indígenas), regiões geográficas, meses de inverno.

Dentre estes fatores temos os fatores que podemos modificar e aí entra a importância das campanhas. Estudos mostraram fortes relações da síndrome com dormir na posição prona (de bruços) mesmo com a eliminação de fatores de confusão, sendo este um fator de risco maior. Em locais aonde é rara a incidência de SMSL não é comum o hábito de deixar o bebê dormir de barriga para baixo. O aumento na incidência entre negros e indígenas nos EUA deve-se ao fato de terem o hábito de colocar os bebês para dormir em posição supina, mesmo após as campanhas.  Nesta posição os reflexos protetores estão diminuídos e em altas temperaturas e superfícies moles também.

Em 1992 a Academia Americana de Pediatria recomendava qualquer posição para dormir menos a prona, mas estudos subsequentes na Inglaterra e Nova Zelândia demonstraram que a posição lateral tem um risco levemente maior que o decúbito dorsal, apesar de a posição lateral ser mais segura que a prona. Provavelmente isto se deve à instabilidade da posição lateral, podendo o bebê rolar para a prona, o que é muito difícil de ocorrer quando em DDH.

Leia mais:  6 Momentos de vínculo entre mãe e bebê.

Além de existirem evidências de quando o bebê é acostumado a dormir de em posição supina e é colocado de bruços o risco aumenta, portanto cuidado com as cuidadoras que também devem ser bem orientadas neste sentido. Muitos pais ficam com a impressão de que o bebê deitado de barriga para cima tem maior risco de engasgos, porém o risco de aspiração e choque é maior na posição prona, e não ocorreu aumento dos casos de aspiração após a campanha.

Gostaria de ressaltar que a posição prona é recomendada quando o bebê está acordado para evitar a plagiocefalia, tema que abordei no texto da semana passada, e para fortalecer a musculatura da cintura escapular e estimular o desenvolvimento motor. Dormir em superfície mole é outro fator de risco independente, travesseiros muito fofos, inclusive o de poliestireno foi proibido nos EUA por este motivo, colchas, edredons, colchões porosos, pele de ovelhas. O superaquecimento também é fator independente, existe uma associação com quantidade de cobertores e roupas, temperatura do quarto, época do ano e esta relação é mais clara quando em posição prona. Não se sabe se esta relação é com excessos no frio que geram a aumento dos quadros de asfixia no inverno. Tabagismo também é um problema, sendo também considerado um risco maior e independente, principalmente se a mão fumar na gestação ou no mesmo ambiente em que se encontra a criança.

A cama compartilhada também entrou como fator de risco por existirem relatos de sufocamento, porém particularmente quando o adulto estava em estado de depressão do nível de consciência, provocado pelo consumo de álcool, ou outras drogas. Em um estudo o risco maior foi maior caso dormissem no sofá. Quanto menor a idade gestacional e menor o peso de nascimento, maior o risco, por isto a relação com prematuridade e baixo peso ao nascer (peso de nascimento menor que 2500g), provavelmente devido a imaturidade do sistema de excitação neuronal que desencadeia a defesa a uma injúria.

Quais são as medidas que devem ser tomadas e sobre as quais podemos agir?

1)Bebês devem dormir na posição supina, isto é de barriga para cima.

2)A superfície deve ser rígida, evitar colchões moles e de água e sofás.

3)Evitar objetos no local de sono como: travesseiros, protetores de berço, cobertores, peles, colchas e cobertores soltos. A opção seria utilizar cobertores até a altura do umbigo ou roupas mais quentes, hoje existem macacões com sacos de dormir na região dos pernas.

4)Cama compartilhada: preferir berços acoplados, se for na mesma cama seguir as orientações anteriores. Os adultos não devem fumar, beber ou usar qualquer tipo de drogas ilícitas ou mesmo medicamentos sedativos. Evitar outros adultos ou crianças que não os pais.

5)Evitar superaquecimento: o quarto deve estar em temperatura confortável para um adulto com roupas leves, não devemos sentir a criança quente ao toque.

6)Para evitar a plagiocefalia posicional: mudar a posição da cabeceira em relação à porta.

Por: Aline Daniele Jafet

Dra. Natália A. Prado – Pediatra e Endócrino Infantil

Instagram @pediatria_funcional

e-mail pediatriafuncional@gmail.com

 

Cuidados com bebê recém-nascido


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Estilista, empreendedora e mãe de 2 crianças lindas, idealizei o blog em 2013 quando senti dificuldades de informações e temas variados em um único site. Hoje o blog virou revista, interagindo com a movimentação de informações e dicas pesquisadas com carinho para passar para minhas seguidoras.

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