Bebê de dois anos
Sem categoria

A fantástica fase dos dois anos de idade da criança.

------------ Espalhe amor #compartilhe ------------
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

A criança de dois anos está vivendo um momento muito rico de aquisição de autonomia, de percepção de si mesma, de construção de identidade.

Bebê de dois anos

Foto: Pinterest

Durante o primeiro ano de vida, a criança é completamente nova nesse mundo, desconhece inclusive seu corpo, pois antes ela e a mãe era uma coisa só. Esse primeiro ano é marcado pela separação mãe-bebê, e pelas necessidades básicas como urgentes e de sobrevivência. Esse é o período da “majestade, o bebê”, porque o bebê é um ser completamente dependente, que os adultos precisam inclusive aprender a traduzir suas necessidades e estar à postos para suas necessidades básicas. As necessidades da criança nesse período são sempre marcadas pela urgência, porque ela não tem a noção do tempo, e ainda não recursos simbólicos que diminuam sua angústia.

Claro, que os pais à medida em que respondem às necessidades da criança, devem explicar, sempre, o que estão fazendo e como estão fazendo, porque essa explicação vai auxiliar a criança entrar no campo da linguagem, do simbolos e da cultura.

É muito importante que a criança tenha um ambiente seguro, equilibrado e afetuoso, desta forma, ela terá mais ferramentas internas para crescer segura e desenvolver sua autonomia e independência de forma equilibrada e saudável. (E isso não diz respeito apenas à mãe, ambiente é todo o entorno da criança! E para mãe estar segura, feliz, e emocionalmente saudável, ela precisa de apoio de todos que façam parte de circulo social, principalmente da família e dos amigos próximos! Lembremos sempre que a criança é uma responsabilidade social, ou seja, de todos!)

A partir dos dois anos, a criança já desenvolveu algumas habilidades, mas ainda está caminhando para o mundo da linguagem (ou seja, o campo cultural), ela ainda absorve mais informações do que externaliza. Ela ainda é uma esponja, e seus filtros ainda estão se construindo, a partir das experiências de vida que ela for proporcionada.

A inteligencia da criança até os dois anos é uma inteligência motora, física, baseada no movimento, pois ela está desenvolvendo controle do seu próprio corpo, dos movimentos, compreendendo a relação com os objetos e espaço, construindo a noção de tempo, e aprendendo que seu corpo é capaz de produzir resultados através da ação. Sabe aquela história da criança que brincou com o cocô? Pois é, ela descobriu que seu corpo produz e que ela pode transformar as coisas através dele. Olha que fantástico, você tomar consciência de que é capaz de fazer e transformar as coisas? Quantos de nós adultos nos sentimos inseguros e muitas vezes desistimulados porque desacreditamos na nossa capacidade de construir e transformar?

Por isso, durante os dois anos as crianças não param quietas, estão sempre explorando o ambiente, as coisas, seus limites.

O desenvolvimento físico-motor e a percepção do próprio corpo e suas capacidades, vem junto de um salto cognitivo! O cerebro da criança funciona mais rápido do que ela pode dar conta, absorve tudo. Assim, ela vai apresentar um comportamento mais autônomo. É o momento em que ela compreende que possui vontades, e ao mesmo tempo se depara com os limites sociais impostos às suas vontades, o que gera um conflito interno. Desta forma, é imprescíndivel aos pais paciência! É super importante dar autonomia para a criança, e ao mesmo tempo, estar sempre por perto, apoiando e supervisionando suas investidas, pois facilita para a criança construir a noção de certo e errado, sabendo que está amaparada e apoiada. Uma criança reprimida exageradamente na expressão de sua autonomia, pode associar sua vergonha à presença dos adultos, e isso pode gerar um comportamento de insegurança e dissimulação. Permitir que a criança se sinta segura na frente dos pais é importante para que se gere uma relação de confiança e honestidade.

Essa também é a fase das birras. No senso comum, as birras são vistas como comportamento manipulador da criança ou desafiador, mas na verdade é um conflito que a criança vive de perceper que possui vontades próprias e suas vontades não serão atendidas de protidão. É como se seu cerebro desse uma pane, e a única forma que a criança tem de aliviar a tensão é com a birra.

É importante nesse momento que os pais tenham muita paciência e empatia, lembrar dos acessos de raiva, de quantas vezes não teve vontade de quebrar algo, de bater em alguém, ou inclusive não chegou a falar que se pudesse “matava”, ou algo do tipo? Só que o adulto já viveu o suficiente para ter recursos internos e não ser dominado pela raiva, agressividade e frustração! A criança precisa que o adulto a ensine como fazer isso, e dificilmente ela irá aprender de forma madura, equilibrada e saudável, se o adulto tenta lhe ensinar através de agressões físicas, verbais, ou da vergonha.

Leia mais:  5 Dicas para engravidar naturalmente de uma menina

Uma criança ensinada através das agressões ou pequenas humilhações desenvolve sentimento de depreciação de si mesma, lançando sua agressividade para si própria, gerando insegurança e baixa autoestima.

O importante na hora de dar limites é falar sobre a situação e o comportamento, nunca associar o fato à criança, nesta fase, a criança leva tudo para o “lado pessoal”, pois ela ainda está vivendo a fase do egocentrismo, ou seja, ela é o centro de tudo, ela ainda está reconhecendo a existência do outro, e isso se dá através das regras, é onde ela entende que existe um limite e esse limite existe porque existem outras pessoas que também possuem vontades.

Vale aos pais se atentarem ao fato de que a criança ainda não está completamente inserida no campo da linguagem, por mais que ela repita frases completas, dê respostas incríveis, ela ainda está construindo um raciocínio lógico, e a imitação das respostas e repetição de frases faz parte dessa construção. Assim, o melhor limite que uma criança poderá receber é o abraço. Não o tapa, mas o abraço. O tapa é aberto, a palmada é aberta, não limita, mas desorganiza, e uma criança num ataque nervoso de birra já está desorganizada demais. O colo e o abraço contém a criança em meio à sua desorganização. Abraçar a criança, e cantar uma música que faça parte de sua rotina, por exemplo, fará com que ela volte ao seu eixo,  e se acalme, e só assim, será possível explicar que o que ela desejava é errado ou não pode.

Eu duvido que alguma mãe ou pai que esteja lendo este texto deu um tapa na melhor amigo ou no melhor amigo na hora em que ele estava num acesso de choro ou de raiva, quantas vezes não separamos uma briga através do abraço, segurando as pessoas entre nossos braços até que ela se acalme? Quantas vezes não esperamos que a raiva de alguém passe, para que possamos conversar com ela tranquilamente? Então, por que exigimos de uma criança que ainda nem viveu o suficiente para conseguir controlar a si mesma, uma criança que nem fala direito ainda, ou que nem saiu das fraldas(!!!!), tenha maturidade que boa parte dos adultos não tem?

Outra caracteristica que marca os dois anos é a entrada no mundo da imaginação e da fantasia, fase maravilhosa das brincadeiras com qualquer coisa e em qualquer lugar. E essa brincadeira é primordial para o desenvolvimento da criança, pois durante a brincadeira a criança poderá ocupar outros lugares, e assim, compreender, a partir de si mesma, as regras sociais às quais está inserida. Também poderá reconstruir histórias, e dar novos desfechos à situações vividas. Através da brincadeira, a criança pode experimentar outros tipos de satisfações, e encontrar novas saídas e possibilidades para aquilo que lhe foi negado. E aí, é de extrema importância que os pais participem de sua brincadeira, sem impor regras. Na brincadeira é o adulto quem está entrando no mundo da criança, a brincadeira deve ser livre. E essa brincadeira se alternará entre imitar atividades cotidianas, de arrumar, de colocar as coisas no lugar, de reproduzir os comportamentos que ela observou; explorar os objetos do dia a dia encontrando milhares de possibilidades existentes num único objeto (panelas, xícaras, pratos, e brinquedos) e também de explorar seus movimentos, correr, pular, agachar, esconder, escalar, etc.. É um ótimo momento para saber como a criança está na escola, por exemplo, ou o que ela tem vivido no dia a dia, como ela interpreta as ações dos adultos, enfim, a melhor maneira de conhecer uma criança é brincando com ela. E pode ter certeza, isso vai fortalecer o laço familiar ainda mais.

A fase dos dois anos mutias vezes é uma fase temida, pois costuma ser reduzida a fase das birras, mas é uma fase maravilhosa, de muita curiosidade, encantamento e descobertas. Estar aberto para viver essa fase com a criança em toda sua potencialidade pode ser uma experiência rica para ambos, desde o fortalecimento da autoestima, ao aprofundamento do autoconhecimento e segurança!

Como você tem vivido a fase dos dois anos por aí?

 

Raisa Pinheiro Arruda

CRP 11/07646

raisaarruda@reflorescer.net

http://reflorescer.net

Cuidados com bebê recém-nascido


------------ Espalhe amor #compartilhe ------------
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Psicologa, mãe do Hugo. Atua com psicologia escolar e com psicologia clínica, em consultorio particular. Trabalha com orientação de pais, e psicoterapia, além de acompanhamento materno (gestação, pós-parto, amamentação). Consultoria para famílias sobre educação, comportamento e desenvolvimento infantil. Apaixonada por maternidade, família, educação e infância. Formação em psicanálise, e cursando pós-graduação de Psicologia da Maternidade. Minhas redes sociais: facebook.com/reflorescer http://reflorescer.net instagram.com/reflore_ser raisaarruda@reflorescer.net

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *