Jill Greenberg
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Limites, por quê é tão difícil dizer não?

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Foto: Jill Greenberg

Limites são bordas que nos organizam e orientam dentro da vida em sociedade, e internamente. Os limites são importantes porque organizam emocionalmente e socialmente uma pessoa.

Um bebê nasce sem bordas, ele está diluído no mundo que acabou de chegar. Não podemos esquecer que enquanto o bebê estava no útero da sua mãe, ele estava ali protegido, limitado, organizado. Imagina você sair de uma situação controlada, segura e se deparar com algo completamente desconhecido? À medida em que a criança cresce, os pais limitam com a rotina, com a organização, com a linguagem, e principalmente, com o acolhimento e amor.

A falta de limite nos causa um sentimento de desorganização. Por isso, construir os limites junto à criança durante seu crescimento é importante, para que ela se torne um adulto emocionalmente saudável, que saiba conviver, reconhecer e respeitar o espaço do outro, e o próprio espaço, que saiba respeitar os limites e as regras sociais, que consiga lidar com suas frustrações e emoções.

O primeiro limite de uma criança é seu corpo. O corpo é a primeira fronteira da criança com o mundo, e o primeiro passo para a criança se reconhecer como uma unidade, como um indivíduo. Por isso, atualmente, reforçamos a importância do colo e do afeto para crianças pequenas, pois o colo é uma forma de conter e dar borda para o bebê e crianças pequenas.

Uma criança está estruturando sua noção de individualidade e personalidade, nesse primeiro momento o seu raciocínio é concreto, ou seja, ela ainda não compreende as metáforas e nem explicações longas. Para ela entender o não, ela vai precisar fazer e  desfazer a ação, por exemplo, para entender o que é um copo vazio, ela vai precisar encher o copo e esvaziá-lo. O ideal para explicar para a criança o não, os pais precisam ir com ela, demonstrar, segurando sua mão, e dizer “isso não”. Ser firme, sem ser autoritário, as pesquisas atuais demonstram que o cérebro reage e aprende com mais facilidade quando estimulado através do afeto. Conter com firmeza e afeto. Se a criança for bater, segurar sua mão e explicar não pode bater.

A criança pequena que ainda não tem repertório de linguagem o suficiente que dê conta de suas emoções e até que a criança esteja inserida na linguagem essa descarga emocional será motora. Os adultos também, quando não conseguem explicar ou entender o que sentem, descarregam as emoções de outra forma, choram, se descontrolam, algumas vezes as emoções não trabalhadas e contidas, podem, inclusive, se transformar naquelas dores e doenças que surgem sem explicação.

Quando a criança tem sua vontade frustrada, como ela não compreende porque suas vontades não podem ser realizadas e ainda não tem linguagem para extravasar a insatisfação, ela tem acessos de birras, raiva, choro, ou episódios de agressividade (que ainda não é intencional, a criança ainda não tem capacidade neurológica de construir um raciocínio de intencionalidade). Durante o acesso de raiva, de birra, ou choro incontrolável, a criança vive um momento de completa desorganização emocional, como se fosse um surto, ela perde referência, perde a noção, está completamente tomada pela emoção. Lembre-se que um adulto quando se depara com uma situação muito intensa, também pode perder o controle, e o que fazemos quando um adulto é tomado por um descontrole emocional? Normalmente, acolhemos, acalmamos, até que a pessoa volte ao seu centro e consiga entender o que vai ser dito, não é?

Ou seja, limitamos a emoção! As crianças ainda estão aprendendo sobre o que elas sentem, seus sentimentos e emoções tem proporções exageradas e elas precisam de limites para não serem engolidas por isso. Acolher não significa dar ou fazer o que a criança quer, mas legitimar sua emoção, nomear sua emoção (porque ela ainda não sabe o que está sentindo), dizer que entende e que ela pode se sentir assim, e dar uma nova direção para a vontade frustrada. Ou seja, chamar atenção da criança para outra coisa, fora do contexto, se é um brinquedo, não oferecer outro brinquedo, mas criar uma outra situação, sair do espaço e mostrar que existem outras possibilidades, o importante é retirar a criança do local, acolher e acalmar, para depois orientar.

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Limite é uma organização emocional e subjetiva, orientar e organizar as emoções é uma maneira de limitar, de dar unidade, e ensinar sobre o respeito aos próprios limites. Proibir ou ignorar as emoções de uma criança, não ensina ela a como lidar com aquela situação, então essas emoções ficam ali, guardadas, e a cada situação semelhante, a emoção que estava contida, fica mais intensa. Sabe aquela raiva guardada, que por estar muito tempo guardada qualquer coisa é a gota d’água? Se colocamos nossos sentimentos de forma orientada para fora, evitamos que eles se tornem mais intensos e desproporcionais com o tempo. Tanto adultos como crianças precisam aprender a direcionar suas emoções para o lugar certo, e isso é um exercício de compreensão e autoconhecimento.

O que fazer num momento desses? Um abraço, acalmar, e dar outra possibilidade de ação. A criança precisa aprender que existem outras possibilidades, além daquela que ela deseja, e assim, ela vai aprender a lidar com as frustrações no decorrer da vida, criando novos caminhos e novas possibilidades.

Com crianças um pouco maiores, o afeto continua sendo imprescindível para a compreensão da criança, quando os pais se colocam numa posição afetuosa, eles se encontram também numa posição empática diante da criança. Ou seja, enquanto pais, rememoramos a própria infância, e compreendemos os filhos, buscando um novo caminho na relação, que não seja a repetição das mágoas que ficaram dentro de nós desde a infância. Os filhos são uma porta aberta para o autoconhecimento, pois ele é um espelho da infância do pais.

Dizer não se torna uma ação difícil, quando este não está incoerente com as crenças e  com os sentimentos da família, e as crianças tem uma capacidade extraordinária de compreender as entrelinhas, as emoções nas falas dos pais, ela entende aquilo que não foi dito, mas foi sentido. Antes de dizer um não, o ideal é refletir se aquilo faz sentido, dizer não pelo não, apenas como uma maneira de punir ou se vingar das crianças não é uma medida educativa, pode até dar uma sensação de conforto para os pais no momento, mas também pode gerar culpa e a criança vai continuar sem orientação certa do que fazer. Os pais precisam se afastar da situação, pensar e compreender o que incomodou de fato, entender a própria raiva, e definir a ação. A proibição precisa ser seguida de uma orientação, porque quando ela compreende o errado, na hora que ela se vê diante de uma situação semelhante, ela não vai repetir o comportamento.

Outro aspecto importante, os pais precisam estar seguros, e isso significa que as regras precisam ser claras entre o casal, e é preciso diminuir a interferência de outros, para que isso não diminua a segurança dos pais na tomada da decisão.

* Esse texto foi escrito a partir do encontro com pais do Colégio Paulo Freire, em Fortaleza, e foi enviado para os pais da escola na semana de 14 a 18 de Março de 2016.

Raisa Pinheiro Arruda

Psicóloga (CRP 11/07646)

Fortaleza/Ce

contato@raisaarruda.com.br

(85) 9 9231 1452

Cuidados com bebê recém-nascido


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Psicologa, mãe do Hugo. Atua com psicologia escolar e com psicologia clínica, em consultorio particular. Trabalha com orientação de pais, e psicoterapia, além de acompanhamento materno (gestação, pós-parto, amamentação). Consultoria para famílias sobre educação, comportamento e desenvolvimento infantil. Apaixonada por maternidade, família, educação e infância. Formação em psicanálise, e cursando pós-graduação de Psicologia da Maternidade. Minhas redes sociais: facebook.com/reflorescer http://reflorescer.net instagram.com/reflore_ser raisaarruda@reflorescer.net

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