Saiba tudo o que acontece nas primeiras horas de vida do seu bebê

Por Patrícia Azevedo em 08/11/2016 -

Foram nove meses de espera. E uma expectativa que não tem tamanho. Do momento em que ele vem ao mundo até vocês se reencontrarem a sós no quarto, muita coisa se passa na sua cabeça e na sala de parto. 

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O nascimento de um bebê é tão esperado quanto misterioso para as mães de primeira viagem. O que acontece na sala de parto? De que maneira vão examinar a criança? Quando ela vai mamar? São muitas as dúvidas que passam pela cabeça dos pais nos nove meses de espera. E muitas coisas acontecem do momento em que seu filho vem ao mundo até vocês irem para o quarto ou se encontrarem no berçário. Em 60 minutos, vocês vão se ver pela primeira vez, ele se aquecerá com o calor do corpo da mãe e passará por uma série de testes para mostrar que nasceu cheio de saúde. Haja emoção! Para reduzir a ansiedade, uma saída é tentar fazer um filminho na mente, com o roteiro do que deve se passar na hora H. Claro que há pequenas diferenças entre uma maternidade e outra, uma equipe de médicos e outra, mas, se bebê e mãe forem saudáveis, o ritual será muito semelhante.

Foto: Nicole Monet

BEBÊ SOB AVALIAÇÃO

Aquecer e acolher
Imediatamente após o parto, o bebê é enxugado pelas enfermeiras para que não sofra de hipotermia. Ocorre que ele naturalmente perde calor ao sair do útero e o resfriamento pode ser agravado pela temperatura mais baixa na sala de parto – que chega a ser até 15 graus a menos do que no abrigo uterino, onde gira em torno de 37ºC. Em seguida, geralmente o recém-nascido é colocado sobre o corpo da mãe, para ser acolhido e aquecido por ela.

Averiguar a respiração
Normalmente, o bebê começa a respirar nos primeiros 30 segundos após o parto e seu maior incentivo é o “choque térmico”. “Cerca de 90% dos recém-nascidos respiram naturalmente. Quando isso não acontece, fazemos manobras simples e rápidas que geralmente são bem-sucedidas”, explica Alice Deutsch. Trata-se de massagens suaves ou estímulos, como mexer nas pernas e nos braços para incentivá-lo a reagir. A especialista reforça que não se usa mais dar um tapinha no bumbum do bebê para que ele choramingue, sinalizando que está respirando. Aliás, nem toda criança chora ao nascer e isso não indica nenhuma anormalidade – em geral, os bebês choram como resposta ao impacto de um ambiente frio e luminoso.

Cortar o cordão
Enquanto o bebê é enxugado pelas enfermeiras, o obstetra interrompe o fluxo sanguíneo no cordão umbilical, com um equipamento que parece uma pinça, e o corta. Quando esse procedimento ocorre precocemente, o fluxo sanguíneo da mãe para o filho é interrompido antes do que deveria, o que pode gerar deficiência de hemoglobinas – as células vermelhas do sangue – no bebê e posterior anemia. Por outro lado, se o cordão é cortado tardiamente, o recém-nascido corre o risco de ficar com uma sobrecarga dessas células, o que resulta em dificuldades respiratórias e cardíacas. Por isso, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que o procedimento ocorra, em recém-nascidos saudáveis, de um a três minutos após o nascimento. Esse é o tempo médio necessário para que a pulsação no cordão cesse. Uma revisão de estudos realizada na Universidade do Sul da Flórida, nos Estados Unidos, sugere que esse é o parâmetro ideal para estabelecer o momento de realizar o corte.

Avaliar
Assim que estiver seco, aconchegado e com o cordão umbilical cortado, o bebê vai para um berço aquecido, ao lado da cama da mãe, onde é enrolado em lençóis e, em alguns hospitais, recebe uma touca. Bem alojado, ele passa por um exame clínico. O neonatologista observa sua vitalidade nos seguintes aspectos: batimento cardíaco, frequência respiratória, cor da pele, tônus muscular e reflexo. Essa primeira avaliação indicará se o bebê precisa de algum procedimento específico imediato, como reanimação neonatal, ou se está em perfeitas condições. Esse é o chamado Teste de Apgar, que deve ser feito no primeiro minuto de vida do recém-nascido e repetido no quinto. Para cada quesito é atribuída uma nota, de 0 a 2, que apontará se aquela função está perfeita (nota 2) ou deficiente (nota 0). Ao final do exame, os bebês que somaram de 8 a 10 pontos estão com ótima saúde; de 6 a 7, podem necessitar de algum cuidado especial; mas o preocupante mesmo é se a nota obtida estiver abaixo de 5, principalmente no segundo teste. “Geralmente, os bebês se recuperam rápido e, caso demonstrem alguma deficiência no primeiro minuto, já no segundo exame se saem muito bem”, explica Luciene. Se a pontuação baixa persistir, indicando problemas como respiração irregular ou frequência cardíaca abaixo do normal, os médicos vão optar entre diversos métodos de recuperação.

Aspirar o líquido amniótico
Depois de nove meses em meio aquoso, é comum que um pouco de líquido amniótico penetre nas cavidades do rosto do bebê. Para que o líquido não migre para o pulmão nem provoque engasgos e enjoos, os médicos costumam aspirar o excesso por meio de uma sonda. Primeiro, ela entra pela boca e passa pelo esôfago. Depois, faz a limpeza das narinas, para facilitar a respiração. Essa precaução é indispensável, na opinião dos médicos convencionais, para prevenir complicações, como sufocamento e pneumonia. Mas há profissionais que consideram a medida dispensável em alguns casos. “O parto normal provoca a eliminação dessas secreções durante a passagem pelo canal”, afirma a doula Ingrid Lotfi, fundadora da Rede Parto do Princípio, do Rio de Janeiro (RJ). Na sequência, alguns hospitais pesam o bebê em outra sala, sem a interferência da primeira mamada. No entanto, se a mãe fizer questão de amamentar antes, vale conversar com o obstetra. O bebê pode ser acompanhado pelo pai durante a pesagem, mas ele só será medido mais tarde, quando estiver com uma postura corporal mais esticada, visto que os bebês tendem a ficar encolhidos nos primeiros momentos.

Pingar o colírio
Hora de cuidar da visão. Os hospitais são obrigados por lei a pingar uma solução de nitrato de prata a 1% em cada olho do bebê. O colírio evitará a conjuntivite neonatal e outras infecções geradas pelo contato com as secreções maternas – seja no ventre ou na hora do nascimento, ao passar pelo canal vaginal. Esse procedimento é lei porque há indícios de que alguns casos de cegueira posteriores estariam relacionados à falta desse cuidado.

Enfim, amamentar!
É orientação da Organização Mundial da Saúde que o bebê seja amamentado na primeira hora de vida porque, de acordo com uma série de pesquisas, isso reduz os riscos de mortalidade e proporciona anticorpos para que ele enfrente os dias iniciais de sua vida com muita vitalidade. Além disso, nesse momento, as mães costumam estar emocionalmente predispostas a estreitar o vínculo com o filho, fazendo com que se sinta mais encorajado a enfrentar as mudanças que se apresentarão nos dias seguintes. Afinal, para quem passou nove meses protegido e quentinho no útero, o ambiente externo pode parecer ameaçador. Outra vantagem é que, quando o bebê suga o peito, o organismo da mãe fabrica ocitocina, hormônio que auxilia na contração uterina e estimula os dutos das mamas a liberar o colostro – a primeira secreção láctea, cheia de células de defesa. Então, passados os primeiros procedimentos, ele deverá ser colocado junto ao seio da mãe. Em geral, a criança demora de 10 a 20 minutos para encontrar o bico e sugar.

Após a primeira hora, a tendência é que o recém-nascido durma e descanse do esforço que fez para nascer e se adaptar ao meio externo. Os momentos que se seguem são de observação dos sinais vitais, como padrões de respiração, movimentação e frequência cardíaca. Isso pode ser feito no berçário ou no quarto da mãe, dependendo da política do hospital, e o bebê invariavelmente fica em um berço aquecido. O primeiro banho normalmente é dado cerca de seis horas após o parto, quando a pele já se beneficiou do vernix – material gorduroso que a protege ao sair do útero. Mas isso também varia de acordo com o protocolo de cada instituição.Os outros testes importantes, como o do pezinho, são realizados 24 horas após o nascimento.

MÃE SOB CUIDADOS

Durante o trabalho de parto e na primeira hora seguinte, a paciente é monitorada, a cada cinco ou dez minutos, em três aspectos: pressão arterial, frequência cardíaca e padrão respiratório. Se estiverem dentro da normalidade, indicam que a anestesia está interagindo corretamente com o organismo e que a mãe passa bem, sem alterações relevantes. A paciente também permanece com um acesso no braço para receber soro e medicamentos, como analgésicos e anti-inflamatórios, caso seja necessário.

SE O PARTO FOI NORMAL...

Expelir a placenta
Muitas mulheres expulsam naturalmente a placenta após dar à luz. Isso é importante para que o útero contraia e os vasos sanguíneos estanquem. Quando isso não acontece, vêm sintomas como enjoo e desmaio e a mulher corre risco de ter sangramento e infecções. “Apenas 3% das pacientes apresentam essas complicações”, tranquiliza a obstetra Karina. E, mesmo que o descolamento não ocorra a contento, o médico pode induzir contrações com medicamentos para que o corpo a expulse ou recorrer à retirada cirúrgica.

Suturar cortes
Dependendo da elasticidade vaginal e do tamanho do bebê, há a necessidade de fazer uma incisão na lateral da vagina, para facilitar a saída do recém-nascido sem machucar a mãe. Caso isso tenha ocorrido, o obstetra fecha o corte com um ponto, para fazer o ajuste perineal. Assim, mulher nenhuma fica com a sensação de que teve alterações na região, decorrentes do parto normal.

Higienizar
O obstetra volta a examinar a paciente para verificar se não sobrou nenhum pedaço da placenta, se a região perineal está saudável e como estão a respiração, o batimento cardíaco e a pressão arterial. Se tudo estiver OK, a mulher é higienizada, com soro fisiológico, e amamenta o bebê nessa primeira hora.

SE FOI CESÁREA...

As etapas executadas após o parto normal se repetem na cesárea com pequenas mudanças:
Placenta – Após retirar o bebê, o obstetra remove manualmente a placenta.

Sutura – Para que o bebê pudesse nascer, o obstetra teve de fazer um corte com 10 a 15 centímetros no púbis, abaixo da marca do biquíni. A sutura é feita em camadas (são sete), com um fio especial. O procedimento pode levar cerca de 20 minutos.

Sonda – Não é raro que a mulher perca o controle da urina, logo após o parto, por conta da anestesia. Para evitar escapes, pelo menos na primeira hora, ela fica com uma sonda para expelir o xixi.

Medicação – Como reação adversa à morfina – componente da anestesia –, algumas mulheres sentem uma forte coceira na pele. Apesar de incômodo, o sintoma não representa riscos e regride facilmente com a administração de um antialérgico.

Monitoramento – É o anestesista quem examina a paciente e a libera para o quarto – geralmente, quando ela já está mexendo bem as pernas (sinal de que o efeito da anestesia está passando). O período de observação pode durar de uma a três horas.

Amamentação
Após a assistência à mãe e o Teste de Apgar com o bebê, o aleitamento está liberado, ainda na primeira hora pós-parto.

EM AMBOS OS CASOS...

Depois de ser liberada da sala de parto, os médicos consideram que a mulher passa bem. Mas ela só poderá beber e comer depois de, aproximadamente, seis horas, mesmo em casos de parto sem anestesia, pois as transformações por que passou podem interferir na digestão. É permitido que ela ande um pouco, para ir ao banheiro, por exemplo, mas o ideal é que caminhe somente depois de se alimentar. Os enfermeiros avaliam seu estado geral periodicamente. Quanto à liberação das visitas, isso varia de acordo com a maternidade e pode ocorrer tanto imediatamente como algumas horas mais tarde.

Fonte: Revista Crescer 


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